Batman dia das bruxas

Entre 93 e 95 Jeph Loeb (texto) e Tim Sale (arte) publicaram três histórias curtas dentro da série LEGENDS OF THE DARK KNIGHT. Temores (1993), Loucura (1994) e Fantasmas (1995). Mais tarde essas histórias foram compiladas e lançadas sob o título “Batman: Haunted Knight” (1996, EUA) aqui chamado “Batman: Dia das Bruxas” (2011, BRA/Panini Books).

Batman_Haunted_Knight

Como o nome já indica, todas as tramas se passam no dia 31 de outubro, e sempre um arqui-insano-inimigo do Batman foge da prisão e aterroriza Gothan na fatídica data, o que torna a cidade mais macabra que o usual.

O primeiro é o Espantalho, em “Temores”, no traço incrível de Tim Sale (a personagem aparece muito bonita, mesmo). É de longe a melhor história do compilado, um conto simples  do Batman combatendo o mal, a loucura velada de Bruce Wayne e a maldade espalhafatosa do Espantalho.

Na história seguinte o Chapeleiro Louco sequestra crianças e adolescentes para tomar o chá das cinco, inclusive a filha do comissário Jim Gordon, que acabara de fugir de casa. É a mais fraca das tramas, apesar de ser baseada em “Alice” de Lewis Carrol, nem a história nem o Chapeleiro Louco conseguem prender a atenção do leitor assim como o Espantalho o fez, o Chapeleiro não tem carisma e a maior parte da narrativa conta a relação de Bruce e o livro de Carrol, a parte boa é como Tim retratou Bruce criança, um flashback em preto e branco, onde salta aos olhos a intensidade do traço , aliás o traço é o grande trunfo dessa HQ.

A última história é baseado no conto de Natal de Charles Dickens. O vilão principal é o próprio Batman, apesar do pinguim aparecer no início como introdução da história. Três fantasmas aparecem para contar a Bruce o que acontecerá caso ele se dedique mais ao Batman e esqueça que ainda é o Wayne. Ironicamente, os fantasmas que deve alertá-lo do perigo de tanto se comprometer com o homem morcego e Gothan, livrando-a do crime, são vilões que atormentam a paz e a justiça da cidade; Hera Venenosa e o Coringa, o último fantasma, já que o conto original tem três, é um Batman derrotado e esquecido.

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Futuro e passado distantes ajudam a compreender quem é essa criatura das trevas, os vários trechos em que Bruce volta a infância deixam isso claro, os inimigos não vem armar melhor contra o Batman do que seu passado, o quanto isso o fere e o quanto o fortalece.

A derrota é um ponto fundamental que liga as três histórias, em todas elas é cada vez mais visível a impossibilidade do homem morcego proteger Gothan para sempre. Um dia ele sucumbirá. Ser o Batman é um fardo muito pesado, que constantemente indaga a si mesmo se vale a pena carregar. Mas é maior que ele, o desejo de proteger os cidadãos de Gothan e livrá-la da criminalidade que levou seus pais, ajuda também o fato de ele ser tão louco quanto seus inimigos, afinal é preciso abdicar as vezes da racionalidade para lidar com eles, pensar como um psicopata.

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Essas histórias não buscam uma resposta para essas reflexões, na verdade elas nem trazem essas indagações explicitamente, mas o bom texo de Jeph Loeb transforma até mesmo uma aventura isolada do Homem-Morcego sem ligação alguma com uma trama maior, numa boa análise do que é esse personagem tão complexo que é o Batman.

 

Ruim/ Regular /Bom /Ótimo/ Excelente

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